Um problema muito comum de se encontrar em sistemas de resfriamento é o desenvolvimento microbiológico. Esses sistemas são um ambiente muito propício para o crescimento de microrganismos, pois, além própria presença da água – composto fundamental para o desenvolvimento da vida – eles costumam operar em condições favoráveis ao desenvolvimento desses seres, como presença de nutrientes, pH neutro ou levemente básico, temperatura entre 20 e 45°C, luz solar, oxigênio dissolvido e alta turbidez. Os seres mais comuns de serem encontrados nessa situação são algas, bactérias e fungos.

Colônia de bactérias aderidas no recheio de uma torre de resfriamento
Podemos classificar esses tipos de organismos em dois grupos: planctônicos e sésseis. O primeiro grupo é o menos agressivo quando pensamos em contaminação de sistema de resfriamento, pois os microrganismos ficam dispersos na água e se movimentam junto com ela. Dessa forma, eles não se depositam e também não aderem a nenhuma superfície do equipamento. Em contrapartida, os organismos sésseis tendem a formar camadas de biofilme no interior da linha, chamadas de slime.

Deposição de microrganismos sésseis no interior de uma tubulação
O desenvolvimento exagerado de microrganismos sésseis traz sérios inconvenientes para o processo, como:
- Formação de depósitos sobre superfícies de troca térmica (trocadores de calor, serpentinas, etc.) diminuindo as taxas de transferência de calor.
- Obstrução e entupimento de tubos, bicos aspersores, válvulas, equipamentos, acessórios, entre outros, podendo diminuir a eficiência do processo, restringir a vazão, entre outros.
- Formação de lodo no fundo das bacias, “decks” e canais de distribuição, criando muitas vezes condições propícias para o surgimento de novas espécies de microrganismos.
- Obstrução e crescimento exagerado em recheios e colmeias de torres, diminuindo a eficiência no resfriamento de água e, em casos extremos, podendo até causar ruptura e desmoronamento do recheio.
- Excesso de material orgânico na água promove formação de espuma, causando maiores inconvenientes.
- As substâncias mucilaginosas (glicocálice) excretadas por alguns seres podem combinar-se com material inorgânico (sais, produtos de corrosão) e formar incrustações aderentes nos equipamentos e tubulações.
- Os depósitos de microrganismos sobre as superfícies metálicas aumentam a incidência de processos corrosivos, favorecendo as reações que os constituem.
- Algumas classes de microrganismos são causadores diretos de corrosão, tais como as bactérias redutoras de sulfato (SRB’s) e formadoras de ácidos.
- Decomposição de estruturas de madeira (torres antigas), provocada principalmente por algumas espécies de fungos; a ocorrência de cogumelos saprófitos conhecidos popularmente como “orelha de pau” não é rara nestas instalações.
- O crescimento descontrolado de seres vivos em águas de resfriamento também provoca aumento da demanda química e bioquímica de oxigênio (DQO e DBO), podendo causar complicações para o tratamento de efluentes (se existente) quando forem feitas descargas de água no sistema.
- Muitas vezes, o acúmulo de material orgânico na água de resfriamento pode gerar mau cheiro no local, tornando-se bastante desagradável principalmente em locais próximos à aglomeração de pessoas (tais como supermercados, shopping centers, etc.).
- Algumas classes especialmente patogênicas de microrganismos desenvolvem-se com muita facilidade em águas de resfriamento. Um exemplo são as bactérias do gênero Legionella, causadoras de uma grave enfermidade chamada popularmente de “Doença do Legionário”.
A maneira mais efetiva de se combater esses microorganismos é a prevenção do seu desenvolvimento, que ocorre simplesmente pela aplicação contínua de cloro na água. De acordo com a Portaria de Consolidação n°5 Anexo XX do Ministério da Saúde, é necessário manter um cloro residual com valor acima de 0,2 mg/L e um valor máximo de 5 mg/L para manter a qualidade da água potável para esse parâmetro. Em casos de contaminações mais severas, pode-se remover o excesso de microorganismos a partir da aplicação de um agente oxidante forte e lavagem do equipamento, e posterior tratamento contínuo com cloro.